11/19/2012

Som na Sucata 4

Postado por Edison Eloy

Som na Sucata – A quarta edição do Som na Sucata aconteceu nos dias 17 e 18 últimos, e teve o evento à frente de sua produção músicos da cena independente de Belo Horizonte. Capitaneados por Flávio Bertola, mais uma vez artistas locais ocuparam o palco do Edifício do Museu de Mineralogia, o Rainha da Sucata, na Praça da Liberdade; para levar à plateia presente sua arte em forma de música. Sábado (17/11/12) As apresentações tiveram início em horário programado, as 15:30h com a banda 4 Instrumental (Sabará). Mais que elogiada por público, cada vez maior que passa a conhecê-la, e pela crítica musical. A banda mostrou porque chamou para si a atenção com seu primeiro CD. Música Instrumental, muito bem executada convida-nos a uma viagem sensorial por caminhos que surpreendem a cada interpretação. Ao se ouvir música instrumental a tendência natural é discorrermos sobre as canções a partir dos nomes das músicas. Mas, a 4 Instrumental é antes de tudo visceral e orgânica. Então não devemos buscar explicações em sons para títulos como “Insônia”. Pois não há mesmo como fechar os olhos e tapar os ouvidos diante de música tão expressiva e forte. Spartakus é mais que grata presença no palco do Festival, banda de BH, tendo a frente sutilezas vocais e de texto de Emerson Lima (voz/guitarra). Leve em propor um “viver sem medo”. Ele sabe que não é bem assim. Poetas “sujos” não sabem fazer silêncio... É assim, a maioria das vezes. O silêncio interior necessário, muitas vezes nos é impedido. É cordialmente irônico ao mostrar a quase impossibilidade de atender a todos os pedidos de uma pessoa “impossível”. Mas ele e seus companheiros de banda persistem e nos brindam com mais que agradáveis canções. Entregam-nos canções honestas e sinceras, e muito bem tratadas pelos músicos da banda. Existem “Dias Bons” sim e alguns bem especiais. Sandro Marte (voz/guitarra) da Grafômanos, terceira banda a se apresentar sabe disso. Com a banda completa em sua formação, executam suas canções com corpo e alma plenos. Quando descobrimos ser impossível vivermos sem nós mesmos, estamos prontos para ser o abrigo de quem de abrigo precisa. Declaração explícita de amor maior existe? Diversão nas mais lúcidas das horas. Na noite tudo pode. Até o melhor, viver. Uma banda em comunhão com sua música, e competentíssima. Timbres agradáveis e canções muito bem resolvidas esteticamente. Thelma Rosa e Banda Diróki (Palavra indígena de origem Pataxó, que significa alegria), contagiante e performática, Thelma Rosa é a expressão tácita do encontro com o mais natural em nós. Thelma Rosa e os excelentes músicos que a acompanham e Noca Tourino (guitarra) é um caso à parte, usando adereços indígenas e ela, também pinturas. Executam canções de seu primeiro CD, e dão a estas canções uma dimensão maior ainda. Arranjos envolventes para Thelma Rosa cantar o quanto o mundo mesmo sendo “insano e estranho” pode ser belo e lugar de humanos. Cantando “suavemente”, mas, punk como os autênticos defensores da busca por igualdade e justiça. Thelma em corpo e voz muito agradável e bem colocada institucionaliza o desnudar-nos para melhor nos percebermos humanos. Incorpora a expressão artística primária e ancestral, a arte das artes. A música e Thelma Rosa se completam. Ela é de Rock, tenham certeza. A banda Metamorfone (Contagem) encerra esse primeiro dia. A sonoridade emitida pelos músicos da banda é realmente intrigante. Três competentes instrumentistas e uma profusão de efeitos que sensorialmente nos envolve. As mudanças em suas dinâmicas surpreendem muito positivamente. Arranjos preparados de forma a conduzir a música a um status quase visual. Muito bom ouvir a força sonora da banda. Boa música faz bem a bons ouvidos. A banda canta: “Esse silêncio é meu som”. Tenham certeza que o texto da banda é intrigante assim como o som. Estão mais Rock e menos “sinfônicos”, pois se apresentaram com a tríade guitarra, baixo e bateria e agradaram à plateia. O ponto negativo foi não podermos ouvir claramente os textos, o uso de efeitos em excesso nos vocais, ocultou-nos essa possibilidade. Mas nada como um dia após o outro. Domingo (18/11/12) Thiago Terenzi, Rock´n Roll em estado puro sobe ao palco. Expressivo e passional ao cantar, com admirável qualidade técnica, a vida. Vida múltipla em cada um de nós, tão únicos entre os iguais. Apoiado por uma banda segura e cúmplice. Thiago Terenzi, em blues e Rock, canta a noite e as criaturas da noite. Lucidez entorpecida por desejos e expectativas difusas e humanas. O Encontro, o desencontro. A vida é para se viver e não para a rendição. Sorrisos simulados para não se curvar diante da percepção do real nem sempre agradável. Thiago Terenzi canta “vai ver a gente é feliz”. Nesse momento no palco ele não tem dúvida de sua felicidade. Entregar-se e buscar o amor sem limites ou barreiras, esse quase indecifrável sentimento, por algum momento, é Thiago Terenzi. De sapatos vermelhos, canto intenso e sem medo de ousar. Em seguida no palco do Som na Sucata a recém-criada The Us, a banda com textos em inglês e claramente influenciada pelo brit pop e psicodelias pós-punk, tem a frente o vocal suave e melodioso de Daysi Pacheco. Duas guitarras com timbres muito bem acertados e executadas por Fernando Prates e Lucas Nascimento, sustentam canções quase hipnóticas. The Us canta a melancolia, a percepção da vida em seus tons cinza e propícios ao desencanto. “Bad Seeds”, “Someday”, apontam em questionamentos e incertezas todas, o cotidiano, mas uma vida maior pode ser vislumbrada. Se não sabemos tudo ao certo, o salto não mais assusta. Entoam suave canção e fingem não mais sonhar. A terceira atração da noite é Nobat, na seara do Rock vigoroso e transgressor, canta se questionando “o que perdi”. Ele sabe o que é utopia. E que não se perde quando o que se canta sai de dentro. “Vai ver não era pra ser tão perfeito”. Os competentes músicos de sua banda sustentam as bases todas para suas canções personalíssimas e bem cuidadas. A noite quer companhia para existir, ela não quer ficar sozinha. E Nobat encontra em si a segurança do verdadeiro ancoradouro. O Seu excelente CD Disco Arranhado nos entrega os mais sinceros e honestos versos de um músico ciente e seguro dos caminhos a seguir. A seguir vem Babaca Manchild, é um projeto irreverente e descontraído, tendo a frente James Pratt (voz/guitarra), em graves, falsetes em profusão e irreverência. Simulam-se em uma direção pós-punk, mas não é. Travestidos de personagens outros, um árabe turco, um executivo de bermuda e duas quase backing vocals, pois uma na verdade é um. Apresentam canções nervosas, baseadas no trio tradicional do Rock. Com muitas e dinâmicas mudanças, executam música aparentemente despretensiosa, contudo original e criativa. A performance da banda esteve em “stand by” por problemas técnicos, mas, que eles voltem. Nada de “no turning back”. A banda que encerra a noite do Som na Sucata é a Festim. Narrativas quase comuns cantam perdas, desencontros e carências. A banda flerta com bossa-nova e samba, e isso com suas guitarras e teclados que sabem pesar a mão quando necessário. É intrigante como conseguem ao entoar de forma “joaogilbertiana” seus textos nos remeter aos nossos “eus” resguardados. Em uma atmosfera intimista cantam a expectativa também do alívio da alma ao encontrar descanso. Onde? Cada um de nós sabe onde é possível descansar. Festim, sem receio e com toda a honestidade, apenas canta. E muito bem. Música com gosto de queremos mais...

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