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| Foto: Marcos Ganndu |
Um mergulho sempre nos deixa em estado de tensão. Imaginemos os mergulhos mais profundos ainda, possíveis mas nada previsíveis? "Florais" é este mergulho. O denso e incômodo reconhecer-se. O cotidiano em detalhes e perceptível apenas para os que estão atentos. "Deixa pra lá" a culpa e medo dos erros. Erra-se em amar? Não. Morre-se de fato ao não amar. Analógico, não por acaso, Florais é o desvendar de sentimentos. Sentimentos são humanos, por isso reais. A paulistana Malu Aires (voz/guitarra/piano), concebeu e deu vida física a este álbum de sua banda Junkbox que por falar do humano, aponta justo para o caminho que a maioria de nós negamos em trilhar, conhecer-nos. Duda Fonseca (guitarra), Rafael Dinamarque (contrabaixo) e Jotta (Bateria). Em estúdio registraram os acordes, sons e impressões que a todo o momento coloca-nos diante do espelho a fitar. Muito bem cuidado em seus detalhes, perturba para envolver. A voz limpa e personal de Malu Aires ao cantar "Quero acordar mais cedo e poder ver tudo num dia só...", pede luz. As terapias parecem tão ineficazes para garantir a compreensão plena do existir. Os acordes, riffs e arpejos propositalmente interrompidos, como a dizer: A vida é verdadeira e eu não me engano. Gritar diante do oceano é a única forma de expurgar o que não tem nome. Pequenas partes para formar um todo, "Filos". Eles não irão nos matar, pois as sobreposições, os contrapontos e a certeza das palavras cantadas, afastarão todos os que vierem em nome do mal. Ele está dentro de nós, e cabe apenas a nós mesmos matá-lo. É uma pessoa apenas ou um exército? A bateria marcial de "Oração à piedade", marca os passos que damos em direção ao caos ou a harmonia. Elas são possíveis? A piedade e a hamornia dentro de nós pede voz. Pense e faça silêncio. Vamos tentar dormir com a anti-Canção de Ninar. Vamos nos permitir fitar também nosso retrato quase perfeito. Música alimentando mentes e corações.
Forte. Nada de "souvenir", um presente de peso. A banda de Juiz de Fora, Hibrida, apresenta-nos um novo álbum muito bem elaborado, em seus arranjos, paredes de guitarras, solos, arpejos e riffs. Flertam com um novo "hard rock", como base, para escrever sobre o ser humano, sobre suas expectativas, buscas e principalmente dúvidas, medos e imperfeições. Não basta apenas o suposto amor, ao se perceber como em "Não mais", para garantir a harmonia entre duas pessoas, é preciso bem mais, são necessárias sinceridade e honestidade. Um diário roubado, ou deixado ao alcance propositadamente para revelar nuances e impressões que não seriam ditas? A gratidão está lá nas páginas não mais guardadas, as quedas poderão e devem ser superadas com a crença em si mesmo. A banda cuida com muita atenção dos detalhes em suas canções. Músicos competentes, sobressai a harmonia das guitarras, bases sempre bem firmes para solos na medida certa. Permear as falas, os textos com riffs obriga nossos ouvidos a ter mais e mais atenção para com o proximo compasso. A acomodação cantada em "Estrago", mina as relações. Marcas até desnecessárias ficam, simplesmente por cedermos ao tédio. Destruir o medo. Não há outra saída. Cantar tudo com um vocal seguro, forte e limpo. A vida pode ser simples, não é o que cantam? "Souvenir", a canção impõe-se nervosa e intensa, a bateria sustenta vozes, guitarras e o texto. Não à farsa, proclamam. Tensão em viver, em perceber no outro o incomodo de existir, mas a certeza da impossibilidade de fugir. "Sou filho da sua dor...". Não estamos perdidos sozinhos, o alento é este. Mais solos bem colocados. "Voce sabe", compreensão, pois a chuva passa. Nada será para sempre. Possuir, sem subjugar-se, "Quem me dera". Rock and Roll, em estado puro. Não vamos reinventar o que já em si nos basta. Como a dizer isso a Hibrida, brinda nossos ouvidos com o que queremos e precisamos ouvir, música boa, sempre! www.bandahibrida.com.br
Drenna usa seu nome para também nominar sua banda. Competentíssima. Milton Carlos (bateria), Rodrigo Pex (guitarra), Drenna (voz/guitarra). Em seu álbum de estréia tiveram as linhas de contrabaixo registradas pelo músico Jamaica. Um registro com grande qualidade técnica. Arranjos muito bem cuidados com detalhes que chamam a atenção ao envolver os sentidos, um riff por exemplo, em "Gelo Coração", é sutil e expressivo para apontar o quase desencanto com o amor que acabou. E amor acaba? Canção forte e radiofônica, assim como outras oito faixas do trabalho. Drenna, a persona diante da banda é carismática, com uma voz poderosa e afinadíssima e não muito menos surpreendente; sabe exatamente o que deseja com a guitarra que ostenta. Exímia guitarrista. Não há como não ter sua atenção voltada para a cantora carioca. É uma banda pop, totalmente pronta e preparada para o mercado. Mas o que é ser pop, quando em uma apresentação ao vivo, voce simplesmente se deixa levar pela sonoridade que sai das guitarras e da voz de Drenna. Como cantar o desencanto, as dores de amar? Amar faz sofrer? Será amor mesmo o sentimento que diz: "Não vou te esperar"? Proferir o seu desejo de libertar-se em "Mente". Narrativas assim, serão confessionais? Alguém pode tão cedo sofrer com sentimentos apenas aparentemente pueris? Apaixonar-se, talvez não seja de fato o melhor caminho, não amar, não pemitir. Quantas portas precisamos abrir para desvendar-nos? Uma banda pop com guitarras fortes e uma bateria avassaladora ao vivo. Drenna canta em "Abstrato" a única canção alternativa do álbum o que talvez possa se tornar a proposta mais forte a seguir. "Que essa canção, que um grito na escuridão!". Que esse verso possa ser também o caminho. Para com o mesmo vigor de sua sonoridade invadir os ouvidos e as mentes. Que a palavra seja assim tão forte, cantada bem alto por Drenna. Incendiando com sua voz clara e forte, Victor Medeiros personifica a banda Invento, do Espírito Santo. Em Seu Ep Isqueiro de Nero, Fica mais que evidente toda a competência dos músicos que formam a banda. Acompanhando as narrativas quase confessionais dos textos das canções do Ep, estão os músicos Roberto Galluzzi (guitarra), muito bem executada e precisa. Solos econômicos, para os que sabem exatamente o que desejam. Eric Roland (contrabaixo), não é preciso arroubos, mas há slaps pontuais; pois como cantam em sua canção "Invento", Para que ter vaidade? e Leonardo Laruccia (bateria), completa o time que mantém base harmônica forte e como todo bom rock´n roll, simples e expressiva. Para cantar as expectativas, e buscas. Contradições também, mas a certeza de que "Ventos Opostos", antes de serem empecilhos, podem sim definir a direção certa. Os relacionamentos são complexos e por saber disso cantam as possibilidades todas, ou quase todas ao nosso alcance. "À um, Sem Dois!", será assim tão utópico viver em harmonia a dois? Seremos capazes de conciliar as tão gritantes diferenças que insistem em manter-se mesmo quando duas mentes distintas parecem querer algo justamente oposto, contudo sendo o mesmo? Uma banda definitivamente em comunhão consigo e suas buscas. Uma banda forte, de rock´n roll. Vamos ouvir e deixar as complexidades lá fora, se possível incineradas por Nero.
Herdeiros do grunge? Sim, contudo o quinteto carioca Riverdies vai além de apenas servir-se do estilo que renovou nos anos 90 a cena musical do planeta. "I Wonder", perguntas que nos fazemos sempre e continuaremos sempre, pois é o que impõe nossa condição. Podemos até desejar o mais simples, estar bem agora, mas sabemos que não é tão fácil assim. A Riverdies, abusa de riffs e guitarras consistentes, para continuar perguntando. Para cantar tempos que insistem em empurrar-nos para o "fundo", não? Nós mesmos estamos construindo esses tempos difíceis e aparentemente tão sem saída. Texto que coloca-nos diante do espelho, os causadores de todas as transformações positivas e as que também deixam-nos desolados. Realista e com um desejo enorme de ver horizontes mais auspiciosos, dedilhados mântricos em "Morning Dies", decretam a perda da crença, mas apenas até que outra manha anuncie-se. Alex Melch (Vocal), canta com sutileza até o que seria para doer. Mas tendo como suporte as bases de Gui Farizeli (Contrabaixo), Vic von Draxeler (Bateria) e Fil Buc e Leo Graterol (Guitarras), sabe gritar e forte e precisa para apontar como devemos pelos menos tentar nos posicionar para mudanças, "Build a New Life". Estamos dispostos? Tal qual um moto-contínuo, até o início e tudo de novo sempre e sempre. Sempre o mesmo? Voz sintetizada, "Fate", só um pouco, pois ainda existem segredos para serem desvendados. A Riverdies canta com a certeza dos que sabem para onde a estrada leva. Melhor, sabem que a estrada está lá, mas que eles é que seguem por ela e então determinam para onde vão. Vão sempre adiante, pelo país e mundo afora cantando, sem rótulo, pois quando se acredita no que se faz não é preciso provar mais nada. Apenas tocar e tocar, e que seja muito Rock´n Roll. Salve os que querem e podem ouvir!
Rock noise, eles se intitulam. Sujo, assim propositadamente incômodo. Denso e por isso instigante. Pois cantar as "mazelas" da condição humana não é fácil. A banda mineira (Ouro Preto/Uberaba), Seu Juvenal. Distorce suas vozes para denunciar, apontar o caos e incomodar positivamente nossas posições mentais acomodadas. Guitarras assim, distorcidas, bem distorcidas, nervosas e parece que gritando urgentemente. Vamos acorde! "O Criador", como a exigir de sua criatura um posicionamento, aponta para o "sertão" roseano ou o possível em cada um de nós. Acomodados permitindo a ação ao mesmo tempo destrutiva e ressuscitadora do tempo, "Filhos da Putrefação". Será que nenhuma palavra brotará mesmo? Abrem seu "Caixa Preta" proferindo em "Passarins", tal intenção. Mas, a avalanche não pode ser contida, pois, sabem que é impossível interromper o movimento uma vez iniciado. Então a Seu Juvenal canta, declama, entremeia em acordes caóticos e riffs agudos, nossa condição. Aponta em "Carne Viva" o caos, sempre ele, com quem estamos fadados a conviver. Renato Zaca (bateria), Bruno Bastos (vocal), Tito (Contrabaixo) e Zacca (guitarra). Levam-nos a uma viagem sensorial, por nove canções, no mínimo desafiadora. Se nos permitirmos a mente só agradecerá.
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